Com título da Libertadores, Muricy acaba com fama de ‘morre-morre’

Com título da Libertadores, Muricy acaba com fama de ‘morre-morre’

O título da Copa Libertadores da América não é especial somente para o Santos e a sua torcida. O técnico Muricy Ramalho, um dos mais vitoriosos do futebol brasileiro, consegue com essa conquista encerrar um estigma que por muito tempo perseguiu a sua carreira: o de não ser eficiente em torneios de mata-mata.

Quatro vezes campeão brasileiro, Muricy sempre conviveu com esse fantasma. Ao seu estilo, o treinador rebatia os críticos, destacando que já havia ganhado campeonatos nesse formato e que apenas lhe faltava a Libertadores. O Paulistão, pelo Peixe, chegou a ser exemplo.

Só que agora o título cobrado não lhe falta mais. Campeão do principal torneio de clubes das Américas deste ano, Muricy não acredita que as críticas irão cessar por conta disso. Ao contrário, o treinador acredita que a cobrança será cada vez maior.

‘Sempre vão falar. Vão pedir pra ganhar o campeonato de Marte, Saturno etc. O engraçado é que, mesmo com tudo isso, continuo ganhando títulos. Fui campeão brasileiro no ano passado, ganhei o Paulista… O que é muito bom. O meu currículo é algo razoável’, disse, em tom irônico.

Mas o título da Libertadores não foi nada fácil. Muricy começou a disputa no Fluminense. Porém, sem obter sucesso na competição pelos cariocas, trocou as Laranjeiras pela Vila Belmiro ainda na primeira fase do campeonato.

Seu primeiro jogo no torneio foi contra o Cerro Porteño, justamente no dia 14 de abril, data do aniversário do clube, em Assunção (Paraguai). O Alvinegro Praiano precisava vencer para continuar com chances de se classificar para a próxima etapa. E conseguiu, ganhando por 2 a 1.

A partir dali, o Santos embalou. Venceu o Deportivo Táchira (Venezuela) ainda na fase de grupos, antes de eliminar América (México), Once Caldas (Colômbia) e Cerro Porteño, na sequência, chegando à decisão.

O atacante Neymar, inclusive, declarou que o técnico havia dado uma nova cara a equipe, com um perfil vencedor. Sem chamar para si as glórias pelos resultados alcançados, Muricy contou que a sua principal virtude no comando do Peixe foi tirar a pressão do time, passando calma aos jogadores e informando-os ao máximo sobre os adversários que iriam enfrentar.

‘Acho que o Santos teve essa lição na Libertadores. O time começou com esse clima de guerra, catimba e por pouco não ficou de fora da competição. Essa era a minha preocupação, pois os jogadores estavam numa ‘pilha’ atrás da outra. Cheguei e falei para eles jogarem da maneira que estavam acostumados. A coisa deu certo. Uma equipe com Ganso, Neymar e Elano não pode guerrear. Eles entenderem que para ganhar era preciso jogar futebol, estar bem informado sobre o seu oponente, e esquecer esse clima de guerra, que é coisa do passado’, comentou.

No entanto, apesar de toda a calma que procurou passar aos jogadores, Muricy reconheceu que não havia outra maneira de vencer a Libertadores, sem ser com sofrimento. E os dois jogos finais contra o Peñarol, tanto em Montevidéu (Uruguai) quanto no Pacaembu, provaram isso.

‘A gente sonha em ganhar e foi como sempre é: duro, difícil. Quando a gente conquista algo muito importante, nunca tem facilidade. Todo título é muito difícil. E é por isso que eles têm um valor especial. Não tem preço que pague você ser campeão’, encerrou.